Renda Fixa: tire todas as suas dúvidas e entenda como funciona

Conheça as principais características e aplicações de renda fixa

Renda Fixa

Mesmo com o volume crescente de investidores no país, muita gente ainda tem dúvida sobre o que é renda fixa. Esse é o nome dado a qualquer investimento cujas regras de remuneração já são conhecidas no momento da aplicação. Mas você sabe como funciona e como investir?

No ato da compra desses títulos, você já saberá qual percentual exato de juros vai receber (caso dos títulos prefixados) ou, pelo menos, qual índice será usado para definir sua remuneração (caso dos pós-fixados). Embora não seja livre de riscos, há aqui uma previsibilidade muito maior do que na renda variável (ações, operações com câmbio, derivativos e ouro).

São considerados renda fixa: CDB, Letras de Crédito Imobiliário/do Agronegócio (LCI/LCA), Certificados de Recebíveis Imobiliários/Agrícolas (CRI/CRA), Letras de Câmbio, Debêntures, títulos públicos federais (Tesouro Direto) e até sua caderneta de poupança. Vamos explicar o que é e como investir em cada um desses títulos ao longo deste artigo. Acompanhe!

Afinal, na prática, o que é renda fixa?

Até aqui, você aprendeu conceitualmente o que é renda fixa e quais são os principais ativos que se encaixam nessa classificação. Mas, afinal, ela é realmente “fixa”?

Um caso clássico sobre esse tema aconteceu em 2013, quando o Tesouro Direto “NTN-B” (atual Tesouro IPCA) sofreu uma forte correção de preços após um longo período de valorização contínua. Mas a renda não era fixa?

Era sim, para quem teve resiliência e foco para manter suas posições compradas até o vencimento previamente estabelecido (que, nesse caso, envolvia uma remuneração híbrida, parte prefixada e parte conforme variação do IPCA no período).

Quem tinha planos de curto prazo e se desfez dos “papéis” antes do tempo acabou rentabilizando menos do que imaginava.

Tecnicamente, a primeira coisa que você deve saber é que a renda fixa é uma espécie de “empréstimo”. Em uma ponta, temos o credor (você) e, na outra, o devedor (que pode ser uma instituição privada ou o Governo Federal).

Essas instituições emitem títulos para financiar suas atividades, sob o comprometimento de devolver seu dinheiro com juros ao final de um período. A instituição emissora conta com seu capital até determinada data. Por isso, ao vender seus ativos antes do tempo previsto, os rendimentos podem ser bastante diferentes do que você imaginava.

No caso de um banco, as atividades financiadas se referem, por exemplo, às políticas de concessão de crédito pessoal. No caso do governo, pode ser a necessidade de capitalização para fazer investimentos em infraestrutura.

Pagou juros? Então é renda fixa. Até porque todo empréstimo tem juros (esqueça o clichê “12 vezes sem juros”: os juros estão associados à mudança de valor do dinheiro ao longo do tempo; por isso são inevitáveis).

Se não há pagamento à vista, sempre haverá esse ajuste, ainda que esteja embutido no contrato.

Como funciona a renda fixa?

Existem duas formas de remuneração na renda fixa: prefixada ou indexadas. Na primeira, os juros são definidos de forma nominal (por exemplo, um título de CDB que pague 10% a.a.). Você já saberá disso desde o início.

Já na forma indexada, os juros estão atrelados a algum indicador, que costuma ser:

  • o IPCA (índice de inflação acumulada medido pelo IBGE);
  • a Selic (estimativa de juros para a economia brasileira, divulgada a cada 45 dias pelo Banco Central);
  • ou o CDI (taxa bancária que determina o rendimento anual dos investimentos — geralmente muito próxima ou idêntica à Selic). Exemplo: LCI a 80% do CDI.

E quanto aos riscos?

Por ter remuneração mais previsível, a renda fixa oferece risco mais baixo do que a renda variável. Além disso, existem aplicações que são protegidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada que recebe contribuições de todos os bancos nacionais, no intuito de formar um fundo protetor ao investidor.

O FGC assegura ressarcimento de até R$ 250 mil por banco e teto de R$ 1 milhão por CPF em caso de falência da instituição na qual o investidor tenha aplicações em CDB, LCI/LCA, Letras de Câmbio, Letras Hipotecárias ou depósitos em caderneta de poupança.

Perceba aqui duas curiosidades interessantes que passam despercebidas para quem não tem intimidade com o mundo dos investimentos:

  1. O que garante o baixo risco da caderneta de poupança é o mesmo gatilho que protege outras aplicações de renda fixa muito mais rentáveis, como CDB e LCI/LCA. Por isso, é um mito dizer que a poupança é o investimento mais seguro do mercado.
  2. Ao contrário do que se imagina, a caderneta de poupança também apresenta algum grau de risco. Se você tiver R$ 450 mil depositados em caderneta de poupança e seu banco falir, adivinha o que vai acontecer com os R$ 200 mil que ultrapassaram o limite do FGC?

Se a caderneta tem os mesmos riscos de muitos investimentos em renda fixa (e se a sua proteção também vale para outras aplicações), não faz sentido deixar suas economias estacionadas em uma aplicação que, às vezes, chega a ter rentabilidade real negativa.

Em 2015, por exemplo, quem aplicou em poupança amargou rendimento de -2,28% (descontando a inflação). Já em 2018, embora a rentabilidade não tenha sido negativa por conta da baixa inflação, o retorno da caderneta foi o pior entre 23 investimentos analisados pela Revista Exame (4,62% a.a. contra, por exemplo, 14,71% a.a. do Tesouro IPCA+2035).

Quais são as tributações envolvidas na renda fixa?

São isentas de Imposto de Renda as seguintes aplicações em renda fixa:

  • Caderneta de poupança;
  • LCI/LCA (Letra de Crédito Imobiliário/do Agronegócio);
  • CRI/CRA (Certificado de Recebíveis Imobiliários/Agrícolas);
  • Debêntures incentivadas (de infraestrutura).

Já as aplicações de renda fixa que sofrem tributação do Leão são:

  • Tesouro Direto;
  • CDB (Certificado de Depósito Bancário);
  • LC (Letra de Câmbio);
  • COE (Certificado de Operações Estruturadas);
  • Debêntures.

Nos investimentos em renda fixa não isentos, o IR é descontado automaticamente no ato do resgate ou no vencimento dos títulos. As alíquotas variam segundo a tabela a seguir:

Alíquota

Tempo de aplicação

22,5%

1 a 180 dias

20%

181 dias a 360 dias

17,5%

361 dias a 720 dias

15%

+ de 721 dias

Mas como declarar renda fixa (não isenta) no IR?

Aproveitando o assunto, a maior parte dos investimentos em renda fixa está sujeita à chamada “tributação exclusiva ou definitiva”, o que significa que, no ato do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda — Pessoa Física (DIRPF), você deve lançar os resultados de suas aplicações em dois locais diferentes:

  • o saldo das aplicações deve ser escriturado na aba “Bens e Direitos”;
  • os rendimentos (ainda que não tenha havido saque) devem ser detalhados na aba “Rendimentos de Aplicações Sujeitas à Tributação Exclusiva/Definitiva”.

Já os investimentos isentos de IR precisam ser declarados na aba “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

E quanto a eventuais custos extras? Há ainda outras taxas na renda fixa?

De forma geral, além do IR, o investimento em renda fixa pode conter ainda a taxa de custódia. Entretanto, muitas corretoras de valores isentam o investidor dessa cobrança.

No Tesouro Direto, a taxa de custódia é 0,3% a.a. sobre o valor investido. Esse montante é cobrado no pagamento de juros, na venda antecipada dos títulos ou, não ocorrendo nenhuma dessas situações, no 1º dia útil de janeiro e julho (de forma proporcional).

Para quem investe em fundos de renda fixa, é preciso prestar atenção em outro custo: a taxa de administração (taxas acima de 1,5% a.a. podem neutralizar ganhos). Os fundos também podem cobrar taxa de performance (percentual incidente apenas sobre a rentabilidade acima do referencial estipulado previamente, o benchmark).

Por fim, aplicações em períodos inferiores a 30 dias estão sujeitas também à incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Tipos de renda fixa

CDB

Conforme explicamos acima, os bancos precisam de dinheiro para emprestar dinheiro. Nesse fluxo de repasse de dívidas, existem as pessoas físicas e jurídicas que emprestam recursos aos bancos (recebem juros dessas instituições) e os endividados (que pagam juros a essas mesmas instituições). Quanto maiores os juros referenciais do mercado, maior será a remuneração do investidor de um CDB pós-fixado, por exemplo.

Assim, o fato de o sistema financeiro brasileiro ter ainda uma das maiores taxas de juros reais do planeta pode ser ruim para quem precisa de empréstimos, mas é excelente para quem é investidor. Seria o caso, por exemplo, de quem aplica em um Certificado de Depósito Bancário (CDB).

O CDB é um título emitido pelos bancos para captar recursos destinados às finalidades mencionadas acima. Os CDBs mais comuns são os prefixados e os pós-fixados (que geralmente remuneram um percentual do CDI — que, como dissemos, está sempre muito próximo da Selic).

Por exemplo, se um determinado CDB pós-fixado pagar 120% do CDI, sua remuneração anual girará em torno da seguinte fórmula: 120% × 6,5% (Selic atual) = 7,8% a.a. Viu como é simples?

Nos grandes bancos, em geral, quanto maior o capital aplicado, maior o percentual do CDI utilizado. Mesmo assim, você encontrará remuneração mais interessante em bancos médios, que precisam de estratégias mais agressivas para atrair novos investidores.

Já em um CDB prefixado, o investidor fica sabendo imediatamente o rendimento bruto da aplicação, uma vez que a taxa contratada é mantida independentemente das oscilações de juros do mercado financeiro.

LCI/LCA

Assim como o CDB, as Letras de Crédito Imobiliário/do Agronegócio são títulos emitidos pelos bancos e protegidos pelo FGC. No entanto, são isentos de IR. Destinam-se a financiar o crescimento do agronegócio/setor imobiliário. Podem ser encontrados com remuneração pré ou pós-fixada.

De forma geral, os investimentos em renda fixa prefixados são mais recomendáveis para momentos de juros altos ou previsão de tendência de queda de juros. Já os pós-fixados atrelados ao CDI são mais adequados para períodos de alta da Selic.

CRI/CRA

É possível que você nunca tenha ouvido falar em Certificados de Recebíveis Imobiliários/Agrícolas (CRI/CRA). Mas estamos falando de excelentes opções de investimento.

Uma CRI/CRA funciona de forma semelhante a uma LCI/LCA, tendo em comum o fato de serem títulos emitidos para captar recursos no mercado imobiliário/agronegócio. A grande diferença é que, enquanto as últimas são emitidas pelos bancos para financiar os setores citados, a CRI/CRA é lançada diretamente pelas empresas. Portanto, o risco é maior, já que não há proteção do FGC.

Esses papéis (pré ou pós-fixados) não têm liquidez diária, ou seja, não são bons investimentos para curto prazo. Em geral, esses certificados têm vencimento de 4 anos, remunerando com juros semestrais ou anuais. Entre os pontos atrativos, estão a isenção de IR e a própria remuneração, muitas vezes acima de 100% do CDI. É possível aplicar nesses títulos a partir de R$ 10 mil.

Letras de Câmbio

Apesar de soar como renda variável, a LC é também um ativo de renda fixa. E se a CRI/CRA é similar à LCI/LCA, as Letras de Câmbio podem ser consideradas parecidas com o CDB. A diferença é que este último é emitido por bancos e a LC, por financeiras.

O rendimento de uma LC pode ser prefixado, pós-fixado (atrelado ao CDI) ou híbrido (taxa fixa + variação do IPCA). As LCs são protegidas pelo FGC, têm prazo de vencimento em torno de 2 anos e são indicadas para qualquer investidor que busque diversificação e baixo risco, uma ver que possuem garantia do FGC.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é uma plataforma de títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. Esses ativos são parte de um programa criado em 2002 por meio de uma parceria entre o Tesouro e a BM&FBovespa para facilitar o acesso das pessoas físicas aos títulos públicos (que antes eram reservados aos grandes investidores). Atualmente, você consegue investir no Tesouro Direto a partir de R$ 30,00.

O Tesouro Direto tem liquidez diária: o próprio Tesouro Nacional garante a recompra dos títulos. Além disso, apresenta facilidade de acesso, rentabilidade acima da inflação (Tesouro IPCA+) e risco mínimo (mesmo em um cenário de colapso político, o governo poderia pagar suas dívidas simplesmente emitindo papel-moeda).

Existem 3 tipos de títulos do Tesouro:

  • Tesouro Prefixado (LTN): paga juros predefinidos no vencimento ou na forma de juros semestrais. Ideal para períodos de Selic em tendência de baixa;
  • Tesouro Selic (LFT): pós-fixado, tem retorno alinhado à Selic (e, por isso, é indicado para momentos de alta de juros). Por ter baixa volatilidade, é mais conservador e excelente para reserva de emergência (se vender antes, não há risco de perder dinheiro);
  • Tesouro IPCA+ (NTN-B): título híbrido, já que tem parte da remuneração prefixada e outra parte na variação do IPCA do período. É o único com rendimento garantido acima da inflação. Entretanto, é mais arriscado que o Tesouro Selic, dada sua maior volatilidade. É ideal para manter o poder de compra no futuro (investimento para longo prazo) e paga juros no vencimento ou a cada 6 meses.

Você pode fazer simulações com a calculadora de rentabilidade do Tesouro Direto.

Debêntures

Debêntures são títulos de dívidas emitidos por empresas. São usados para pagamento de débitos, mas também para aumento de capital ou custeio de projetos. São oferecidos na forma de:

  • Debêntures simples: títulos que não dão direito à conversão em ações;
  • Debêntures conversíveis: com possibilidade de conversão em ações da companhia emissora;
  • Debêntures incentivadas: emitidas por empresas que têm projetos de infraestrutura. Exatamente por isso, são isentas de IR e IOF.

Podem também ser prefixados, pós-fixados ou híbridos.

Quais são as vantagens e desvantagens de investir em renda fixa?

A aplicação em renda fixa, via de regra, é simples, acessível, de baixo risco e com retorno interessante. O grande desafio é saber gerenciar os custos envolvidos (para não perder rentabilidade com o pagamento de taxas) e entender qual é a melhor combinação de ativos para cada momento econômico.

Vantagens:

  • segurança;
  • maior previsibilidade de rendimento;
  • possibilidade de isenção de IR;
  • possibilidade de proteção pelo FGC;
  • possibilidade de misturar diversificação com rentabilidade;
  • ausência de burocracia.

Desvantagens:

  • necessidade de conhecer bem o gatilho de retorno de cada ativo;
  • necessidade de pesquisar as corretoras/bancos para evitar taxas que anulem seus resultados.

Como investir em renda fixa?

Muitas pessoas perguntam como investir em renda fixa. Para aplicar em títulos públicos, por exemplo, basta ter CPF válido e conta-corrente em banco. A partir disso, você deve escolher um agente de custódia para intermediar as transações com o Tesouro Direto (confira as instituições habilitadas).

Acesse o site da instituição e faça seu cadastro. Você provavelmente será convidado a remeter por e-mail seus documentos pessoais para confirmação de identidade.

Uma vez confirmado o cadastro, você receberá uma senha provisória da B3 para fazer o primeiro acesso à área restrita e começar a investir. Vale lembrar que algumas instituições integram seu portal ao ambiente do Tesouro Direto, permitindo fazer a compra/venda dentro do próprio sítio da corretora.

Se você está interessado em títulos privados como CDB, LCI ou LCA, o procedimento é ainda mais fácil. Basta fazer diretamente seu cadastro na corretora de valores/banco, remeter os documentos solicitados e, em poucos dias, você terá acesso à plataforma de investimentos para fazer suas aplicações financeiras. Consulte as instituições financeiras credenciadas pela B3 (fusão da Cetip com a BM&FBovespa).

Conclusão

Aplicar em renda fixa é um caminho mais do que necessário para quem quer sair do marasmo da poupança (que ironicamente, embora seja também classificada como renda fixa, tem o menor retorno entre as opções do mercado).

Mesmo em um momento de queda na Selic, o juro real ainda elevado no país faz desses títulos ótimas opções para os investidores, especialmente para os de perfil mais conservador. Com a retomada da confiança no mercado, novas emissões de debêntures incentivadas, LCI/LCA e CRI/CRA devem estar no radar dos investidores para dar um upgrade em sua vida financeira.

Se este conteúdo sobre renda fixa foi relevante para você, aproveite para assinar nossa newsletter e receber informações sobre o lançamento da Capital Research!

Recomendados

Investimentos

ADR: o que é, como funciona e as vantagens de se investir

Entenda o que é American Depositary Receipt (ADR), como funciona, quais as ...

3 meses atrás

Investimentos

CDI: conheça tudo sobre um dos principais parâmetros de rentabilidade do mercado

CDI é a principal taxa de referência para a avaliação da rentabilidade de ...

3 meses atrás

Investimentos

Ações preferenciais ou PN: entenda qual a vantagem

Ações preferenciais ou PN são ações com prioridade na distribuição de ...

3 meses atrás